Às vezes, é importante desistir.

Na verdade, o importante não é desistir. O importante é saber quando desistir. Muita gente resiste à ideia e persiste em rotinas sem sentido, relações sofridas e trabalhos estressantes. Um erro. E continuam porque desistir envolve perda, o que venhamos e convenhamos, nunca é legal. Só que perder faz parte da vida. Assim como a frustração e a desistência. Muitas crenças e imperativos que criamos e são criados e perpetuados dificultam entender e aceitar isso. “Sou brasileiro, não desisto nunca!” talvez seja o maior deles.

Temos uma ideia de que quem desiste é porque errou ou fracassou (ou os dois). Mas também existe aquele sábio ditado “é errando que se aprende”. E é verdade. Errando, perdendo e se frustrando você aprende muito sobre si e sobre o mundo. Sobre as pessoas, os sistemas, as relações, os “comos” e os “porquês”. Sobre ganhar e sobre perder. E não estou dizendo que esse aprendizado é fácil e confortável. Soma-se a isso a fantasia onipotente de que podemos tudo, basta querer. Na verdade nós queremos tudo e esse pode ser o problema. Aí vale lembrar o ditado “quem tudo quer, nada tem”.


O grande problema com a desistência é que ela está relacionada à fraqueza, e assim, inferioridade e vergonha. E não tem quase nada que abale mais o ego do ser humano do que se sentir inferior ao outro ou ter que mudar algo certo/esperado. Odiamos incertezas. “Nunca troque o certo pelo duvidoso” mostra nossa necessidade de segurança. O que as pessoas esquecem é que muitas vezes é preciso ser muito forte pra ir contra as expectativas e convenções e sim, desistir. O que deu certo pro outro, o que o outro quer, o que o outro conseguiu, é dele. Não quer dizer que tem que ser ou será exatamente assim com e pra você. Por um simples motivo: você e ele são pessoas diferentes.

O outro pode servir de modelo, claro. Um ideal de ego, uma inspiração. Modelo do que queremos ter e ser. Ou do que achamos que queremos ter e ser. Ou até do que os outros acham que devemos querer ter e ser. Quando se inspirar em outra pessoa é algo positivo e motivador, tudo bem. Mas geralmente, a comparação faz mal a quem está se comparando. Sentimentos como a culpa, inveja, abalos na autoestima e na segurança aparecem como consequência desse jogo de comparação. A pessoa sofre “sem querer querendo”.


Não estou dizendo pra você sempre desistir e que desistir é a melhor coisa a se fazer quando algo está difícil. Isso é fuga e a fuga só mascara um sofrimento ou uma dificuldade ainda maior. Estou dizendo que, às vezes, desistir de algo é escolher e ser fiel a você. E que, algumas vezes, persistir pode ser um erro. Precisamos saber genuinamente o que queremos e do que precisamos, não desistindo de nós mesmos. A terapia pode ajudar nessa descoberta! E também pode ajudar a perceber se a sua desistência é uma mudança positiva ou um padrão desajustado de repetição.

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