Terapia: gasto ou investimento?

O mundo roda e a lusitana gira! E esse mundão tá cada vez mais rápido e imediatista. As relações estão superficiais (visto o gasto de energia que demandam) e as pessoas querem lucrar, ganhar ou, pelo menos, não perder. Querem tudo pra hoje, do seu jeito, ou não querem mais. A tolerância à frustração está cada vez mais baixa. Nesse mundo (considerado por muitos) cada vez mais doente, falar de terapia pode ser banal e até redundante. E inevitável. Mas ainda existe muito preconceito com a terapia ou com psicólogos. E, assim como em qualquer preconceito, a base disso está no desconhecimento, da não experiência. Ainda hoje muitas pessoas acham que só louco faz terapia, que consegue cuidar dos problemas sozinho ou que falar com os amigos/familiares é a mesma coisa.


Muitas pessoas ouvem falar que deveriam fazer terapia, mas por medo ou desconhecimento, nunca chegam a procurar ajuda. Muitas pessoas acham que precisam de terapia, mas não conhecem um profissional ou não têm tempo. Mas e quando as pessoas evitam a terapia porque não querem gastar dinheiro? Diariamente no consultório recebo ligações de pessoas querendo apenas saber se atendo convênio tal. Não trabalho com convênios. E entendo que as pessoas muitas vezes pagam caro pelos seus planos de saúde e querem vantagens ou o que lhes é de direito. Mas entender a terapia como um gasto é, no mínimo, equivocado.


Todos os dias ou semanas gastamos com coisas (aparentemente) tão supérfluas. Geralmente coisas pra tentar encobrir questões mais profundas que poderiam ser trabalhadas em terapia. Que só vão ser entendidas assim em terapia. Por exemplo: muitas mulheres fazem manicure semanalmente. Gasto (ou investimento?) que se colocado na ponta do lápis, dá uma boa quantia no fim do mês. Fazem porque querem se sentir bonitas e perfeitas. Fazem porque precisam fazer. É o que a sociedade exige. É o que se espera. (E não estou falando que você não deva fazer as unhas). E muitas vezes sair do salão com as unhas bem feitas tem realmente um efeito positivo na autoestima. Mas e quando esse efeito passa?


O mesmo acontece com quem vive saindo em baladas e barzinhos, com a intenção de encontrar o amor da vida, mas só encontra “o mesmo tipo de gente”. Um investimento perdido que só gera ressaca e dor nos pés do salto alto no dia seguinte. E claro que isso pode ser negado com as justificativas mais variadas. Mas só você sabe o que quer e o que procura. Só que antes de sair por aí querendo e procurando, é preciso saber o que se quer realmente. E pra saber isso é preciso se encontrar. E a terapia é esse lugar. Um lugar de encontro consigo mesmo. Um lugar pra si, sem pressões da sociedade, achismos e opiniões alheias. Um lugar pra admitir e reconhecer como se é e como se quer ser.


Fazer terapia é um investimento em você! E quando você pensar que vai gastar tempo e dinheiro, lembre-se que a vida é feita de perdas e ganhos. E visto os ganhos que a terapia pode proporcionar, você vai entender a importância e a beleza de investir em você. E vai ver como cada minuto e centavo vai valer a pena!

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